por Redação 21/08/2025 20:06
Uma pesquisa
realizada por biólogos brasileiros mostra que a incidência de malária é maior
em áreas com mais de 50% de desmatamento. O estudo foi feito em 40 pontos de
Cruzeiro do Sul (AC), município localizado na fronteira do desmatamento no Acre
e um dos principais focos da doença no país.
Considerada
uma doença negligenciada, a malária atinge principalmente a população de baixa
renda e é transmitida pela fêmea do mosquito do gênero Anopheles, conhecido
popularmente como carapanã, muriçoca, sovela ou bicuda. No Brasil, o epicentro
da doença está nos nove estados da Amazônia Legal, que em 2024 concentraram 138
mil dos 142 mil casos registrados.
De acordo
com o estudo, o risco de transmissão aumenta quando o desmatamento supera 50%,
já que a derrubada da floresta aproxima os núcleos populacionais das áreas de
mata. “O risco também é alto quando a vegetação é fragmentada, permitindo maior
contato de vetores que estão na floresta com humanos”, explicou o biólogo
Gabriel Laporta, professor do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC
(FMABC), em entrevista à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP).
Os
pesquisadores também identificaram que, quando a cobertura vegetal é restaurada
para níveis acima de 70%, a incidência da doença tende a cair. Já áreas
totalmente desmatadas apresentam menor recorrência, pois se tornam inóspitas
para os mosquitos. Além da análise dos vetores, foram coletadas amostras de
sangue de moradores da região.
O desmate,
aliado às mudanças climáticas, é apontado como um dos fatores que favorecem
doenças transmitidas por mosquitos. Secas prolongadas e chuvas intensas criam
condições favoráveis para a proliferação desses insetos. Outros fatores de
risco estão relacionados à perda de diversidade do bioma e ao avanço de
projetos como estradas, usinas e o garimpo.
Reconhecendo
essa relação direta entre saúde pública e preservação ambiental, a presidência
da COP30 incluiu o tema da saúde na agenda da conferência. “As questões
ambientais e de saúde pública parecem distantes, mas estão muito conectadas.
Uma das formas de intervenção em áreas como as que estudamos seria promover
iniciativas sustentáveis que ofereçam renda para os moradores”, destacou
Laporta. “Uma conferência como a COP30, que reúne governantes e tomadores de
decisão, pode ser uma oportunidade para discutir como iremos substituir o modus
operandi de hoje”, completou.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo registrou 263 milhões de casos de
malária e 597 mil mortes pela doença em 2023.
inf.via/jurua24horas





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