por Anne Nascimento 29/01/2026 21:27
Conduzida
pela multiartista Marcia Regina da cia. víÇeras, a oficina convida o público em
geral a borrar as fronteiras entre vida e cena em um processo de criação que
parte do corpo, da experiência pessoal e do encontro.
A oficina “Ensaios no real e na ficção” chega como um convite para quem deseja experimentar as artes vivas para além dos procedimentos tradicionais, e aposta na fricção entre o que é vivido e o que é inventado, potencializando a autobiografia como matéria de criação. A atividade ocorre no próximo dia 4 de fevereiro, das 18 horas às 21 horas, na sala de dança da Usina João Donato. Para participar, basta se inscrever no link: https://goo.su/eUueXD
Com
trajetória que atravessa dança, teatro, cinema e artes visuais, Marcia define a
oficina como um espaço de investigação contínua. “Eu ofereço essa oficina há
muitos anos, e muitos dos procedimentos que trago nela vêm do processo de
criação do espetáculo ‘Isto também passará, antes que eu morra, espetáculo que
apresentaremos na mesma semana da oficina’”, explica. Segundo a artista, o foco
está em compreender “como se dá esse encontro entre o real e a ficção, e partir
daí construir mundos que tenham a potência da própria vida”.
A proposta
não se limita à criação de cenas fechadas. Pelo contrário, busca deslocar
certezas. “Muito mais do que criar cenas e coreografias, a oficina tenta
bagunçar essas fronteiras. A vida acontece também na cena”, afirma Marcia.
Nesse processo, a memória surge não como lembrança distante, mas como “material
e documento vivo para inventar mundos”.
Corpo como
território de dramaturgia
Um dos eixos
centrais da oficina é a chamada dramaturgia do corpo, conceito que atravessa a
prática artística da artista. “O meu trabalho tem muito a ver com o foco no
corpo, com o entendimento desse corpo no tempo e no espaço”, diz. A partir
dele, surgem gestos, aproximações e relações - entre pessoas, objetos e
paisagens.
Durante os
encontros, os participantes são convidados a improvisar, criar pequenas cenas,
experimentar ações e refletir coletivamente sobre os processos. “Eu proponho
ações que dialogam com o grupo, porque me alimento muito do que é palpável no
momento presente do encontro entre seres. Existe sempre uma abertura para
coisas novas”, destaca a artista.
Criação
coletiva e escuta sensível
O conteúdo
programático da oficina inclui momentos de introdução teórica, práticas
corporais, exercícios de criação individual e coletiva, além de ensaios com
feedback em grupo. A ideia é que cada participante possa experimentar a própria
narrativa e, ao mesmo tempo, construir algo em comum.
“A
colaboração é uma ferramenta de criação fundamental”, reforça Marcia. O
percurso se encerra com uma reflexão sobre o impacto da prática artística na
vida cotidiana e uma partilha das cenas desenvolvidas, valorizando o processo
em todas as suas etapas.
Aberta ao
público em geral, a oficina se apresenta como um espaço de experimentação
sensível, onde arte e vida se contaminam. Como resume a artista, trata-se de
“pensar maneiras de estar no mundo com mais presença, criando a partir do que
somos, do que vivemos e do que ainda podemos inventar”.










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