RIO BRANCO

Janes Peteca faz desabafo durante manifestação de Policiais Panais em frente a Assembléia

por Redação 01/04/2026 18:43

foto:SergioVale


Durante manifestação realizada em frente à Assembleia Legislativa, nesta terça-feira, 31, o sindicalista Jane Peteca, que também é tesoureiro da Federação dos Servidores Públicos do Estado, fez um forte pronunciamento sobre a realidade enfrentada pelos policiais penais.

Segundo ele, os profissionais da ativa convivem com situações precárias dentro das unidades prisionais. Entre os principais problemas relatados estão a falta de estrutura básica para descanso e higiene. De acordo com a denúncia, policiais que cumprem plantões de 24 horas contam com intervalos curtos de descanso, que variam de 20 minutos a uma hora, mas não dispõem de condições adequadas para esse período.

Peteca destacou que os colchões disponíveis são extremamente inadequados, finos e insalubres, causando desconforto e até problemas de saúde, como coceiras e infecções. Em contraste, ele afirmou que os reeducandos possuem melhores condições, com acesso a colchões novos, alimentação regular e itens de higiene.

Outro ponto crítico levantado foi a ausência de estrutura mínima nas guaritas, onde, segundo ele, não há sequer banheiros, obrigando os profissionais a permanecerem por longos períodos sem condições de atender necessidades fisiológicas básicas. Além disso, os próprios servidores relatam ter que fazer “cotinhas” para adquirir itens simples, como copos descartáveis e até para manutenção de equipamentos como ar-condicionado.

A situação se agrava nas unidades provisórias, onde, conforme a denúncia, policiais penais chegam a descansar em espaços improvisados, semelhantes a celas, e, em alguns casos, dormem no chão por falta de colchões. Outro ponto considerado grave é a sobrecarga de trabalho. Segundo o sindicalista, um único policial penal chega a desempenhar múltiplas funções simultaneamente, como preenchimento de diversos livros de ocorrência, contagem de internos, controle de visitas, alimentação de sistemas e até atuação em situações de crise, como contenção de rebeliões.“Hoje um policial faz o trabalho de vários ao mesmo tempo.

É humanamente impossível dar conta de tudo com qualidade. É um trabalho extremamente estressante, e a sociedade precisa entender isso”, afirmou. Jane Peteca também chamou atenção para a falta de efetivo e cobrou a convocação de aprovados em concurso público. Segundo ele, há candidatos aptos aguardando chamada, enquanto o sistema opera com déficit de profissionais. 

De acordo com o sindicalista, o impacto dessa sobrecarga já é visível na saúde dos servidores. “Os novos que estão entrando já estão adoecendo. São pessoas que passam 24 horas dentro do sistema, sob pressão constante. Não são bandidos, são trabalhadores que estão ficando doentes”, declarou.

No campo salarial, o sindicalista também apontou uma queda significativa na valorização da categoria. Segundo ele, há cerca de oito anos, o salário dos policiais penais do Acre figurava entre os quatro maiores do país. Atualmente, teria caído para a 24ª posição no ranking nacional. Durante o pronunciamento, Jane Peteca também afirmou que a categoria deposita expectativa na nova gestão estadual.

Ele destacou a confiança na futura governadora Mailza Assis, ressaltando que acredita em sua sensibilidade e na possibilidade de um olhar mais atento às demandas do sistema.Segundo ele, sem mudanças efetivas, o cenário tende a permanecer o mesmo. “Do jeito que está, se não houver transformação dentro do sistema penitenciário, a situação vai continuar.

Existe o risco de gestores continuarem repassando informações que não refletem a realidade. Nós estamos aqui para denunciar isso e mostrar o que de fato está acontecendo”, afirmou.Diante desse cenário, o sindicalista fez um apelo por medidas urgentes e uma reestruturação profunda no sistema penitenciário, alertando para o risco de agravamento da crise caso não haja intervenção. A categoria afirma já ter levado as denúncias a diferentes instâncias, mas cobra ações efetivas que garantam melhores condições de trabalho, convocação de novos servidores e valorização profissional.

 

 

 

 

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