por Redação 25/05/2026 11:29
O papa Leão
XIII publicou sua primeira encíclica nesta segunda-feira (25), intitulada
“Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade), cobrando a regulamentação
internacional para desacelerar o desenvolvimento de sistemas de inteligência
artificial, que, segundo ele, disseminam desinformação e podem levar o mundo a
um caminho de guerras intermináveis.
Durante o evento
de lançamento do documento no Vaticano, o pontífice reconheceu que a Igreja
Católica não condenou veementemente a escravidão transatlântica até o século
XIX e fez um pedido pessoal de desculpas.
“Isso
constitui uma ferida na memória cristã”, escreveu ele. “Por isso, em nome da
Igreja, peço sinceramente perdão.”
Leão XIV,
que adotou um tom mais enérgico nos últimos meses e despertou a ira do
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após criticar a guerra no Irã, fez
uma série de apelos veementes aos líderes mundiais no extenso texto, conhecido
como encíclica.
O primeiro
papa dos EUA pediu que a propriedade dos dados de IA não seja deixada
exclusivamente em mãos privadas, que os formuladores de políticas protejam os
direitos dos trabalhadores e mantenham as crianças a salvo da tecnologia,
fazendo um apelo também pela redução da competição entre as empresas de
inteligência artificial.
“O que é
necessário é um envolvimento político mais ativo, capaz de desacelerar as
coisas quando tudo está se acelerando”, declarou o pontífice no texto.
As
encíclicas são uma das mais elevadas formas de ensinamento de um pontífice aos
1,4 bilhão de fiéis da Igreja.
O texto,
muito aguardado e com quase 43.000 palavras, está sendo elaborado desde a
eleição de Leão XIII como Papa, há pouco mais de um ano.
“Novas
formas de escravidão”
O pontífice
afirmou que qualquer uso de inteligência artificial em guerras “deve estar
sujeito às mais rigorosas restrições éticas” e considerou “inadmissível”
confiar decisões letais a sistemas de IA.
Leão XIV, o
14º papa a adotar esse nome, citou séculos de ensinamentos papais anteriores
sobre questões de justiça social antes de abordar a ética dos sistemas de IA.
Ele invocou
especificamente seu antecessor, Leão XIII, que publicou uma famosa encíclica em
1891, na qual clamava por melhores salários e condições de trabalho para os
operários durante a Revolução Industrial.
O líder da
Igreja Católica denunciou o que chamou de “novas formas de escravidão” sofridas
por pessoas que operam sistemas de IA e por trabalhadores de fábricas que
produzem os dispositivos tecnológicos, como computadores e smartphones, nos
quais a IA é utilizada.
“Em algumas
regiões do mundo, crianças e adolescentes trabalham em condições perigosas,
triturando os materiais dos quais são extraídos elementos de terras raras”,
escreveu o pontífice.
“Os corpos
dessas pessoas estão marcados, feridos e desgastados para que o fluxo
computacional possa continuar ininterruptamente”, pontuou ele. “Essa realidade
desafia profundamente a consciência moral do nosso tempo.”
Papa Leão
denuncia guerras pelo mundo
O documento,
que abordou a inteligência artificial como tema principal, também denunciou o
número de guerras que assolam o mundo, lamentou o enfraquecimento das
organizações multilaterais e alertou que os lucros da indústria armamentista
são uma força motriz por trás dos conflitos.
“Os últimos
60 anos foram marcados por conflitos de brutalidade assombrosa, que muitas
vezes afetaram populações civis em larga escala”, afirmou Leão XIV no texto em
inglês.
“A
humanidade está mergulhando em uma cultura violenta de poder, onde a paz não é
mais vista como uma responsabilidade a ser assumida, mas como um frágil
intervalo entre conflitos”, afirmou ele.
Leão também
fez uma das declarações mais claras até o momento de um papa repudiando a
teoria da guerra justa, doutrina que a Igreja usa desde pelo menos o século V para
avaliar conflitos globais.
A doutrina,
que geralmente afirma que as guerras só devem ser travadas para se defender de
agressões, também foi invocada por integrantes do governo Trump, incluindo o
vice-presidente JD Vance, católico, para defender a guerra com o Irã.
“A teoria da
‘guerra justa’, que muitas vezes tem sido usada para justificar qualquer tipo
de guerra, está agora ultrapassada”, escreveu Leão.
“O uso da
força, da violência e das armas reflete uma pobreza relacional que sempre tem
consequências desastrosas para as populações civis”, acrescentou o texto.
O pontífice
também expressou preocupação com a possibilidade de líderes iniciarem guerras
para distrair os cidadãos de problemas internos.
“Não podemos
descartar a possibilidade de que alguns líderes considerem o conflito armado
uma forma eficaz de desviar a atenção dos problemas internos e uma ferramenta
cínica para gerir dificuldades”, afirmou ele.
inf.via/CNNBRASIL




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