Acre

TCE-AC lança Programa de Adequação à LGPD para fortalecer privacidade e segurança dos dados do cidadão

por Ascom/tce-ac 24/09/2026 10:17

O Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) deu início, na terça-feira (22), ao Programa de Adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A iniciativa inaugura uma nova etapa na estruturação das políticas de governança, privacidade e segurança da informação da instituição, com foco na proteção dos dados pessoais tratados pela instituição e no fortalecimento da confiança do cidadão no serviço público.

O lançamento reuniu conselheiros e servidores do Tribunal além da procuradora do Ministério Público de Contas, Anna Helena Azevedo e da conselheira substituta Maria de Jesus Carvalho. A apresentação foi feita pelo advogado e executivo da HDPO Gestão e Conformidade, João Gonçalves. Responsável pelo sistema, ele vai ministrar uma palestra aberta ao público nesta quarta-feira (23) com o tema “Quem cuida dos dados do cidadão? LGPD, serviço público e a confiança que o Estado precisa proteger”.

A implementação do programa é realizada em parceria com a HDPO e dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Comitê de LGPD e o Encarregado de Dados do TCE-AC, funções criadas no ano passado pela Presidência para coordenar e estruturar as ações necessárias à adequação da instituição à legislação.

Proteção de dados na rotina do Tribunal

Para o diretor de Desenvolvimento e Inovação do TCE-AC e presidente do Comitê de LGPD, Luiz Gustavo Maia, a adequação à LGPD representa o fortalecimento dos cuidados adotados pelo Tribunal no tratamento das informações que circulam diariamente na instituição.

“Na prática, processos administrativos e de controle contêm dados como nomes, CPFs, endereços, contatos telefônicos e informações relacionadas a gestores e servidores. São dados que precisam ser tratados com responsabilidade, segurança e, quando for o caso, com mecanismos de anonimização”, explicou.

O diretor também destacou que a proteção de dados deve caminhar em conjunto com o princípio da transparência, essencial à administração pública.

“Não existe conflito entre transparência e proteção de dados. A transparência garante o acesso às informações públicas, enquanto a LGPD estabelece cuidados para que dados pessoais, de saúde ou familiares não sejam expostos de maneira indevida. É possível garantir o acesso à informação sem abrir mão da privacidade do cidadão”, pontuou.

Transparência com responsabilidade

Durante o lançamento, o secretário geral da Presidência, Evandro Luzia, reforçou que a proteção de dados integra uma agenda mais ampla de modernização e aprimoramento das práticas institucionais.

“Não é apenas uma obrigação legal, mas um compromisso de garantir os direitos do cidadão e atuar de forma transparente e segura. Cuidar dos dados das pessoas é também proteger sua privacidade e sua dignidade”, afirmou.

Já a diretora geral da Escola de Contas, conselheira Naluh Gouveia, ressaltou a importância de encontrar o equilíbrio entre o dever de dar transparência aos atos públicos e a necessidade de preservar informações pessoais.

“A questão da transparência e dos dados é vital na vida da população. Precisamos dar transparência, mas também garantir a segurança dos dados sensíveis e o cumprimento da lei”, afirmou.

Uma mudança que vai além da legislação

João Gonçalves chamou atenção ainda para uma característica própria do tratamento de dados no setor público: em diversas situações, o cidadão precisa fornecer informações ao Estado para ter acesso a serviços e exercer seus direitos.

Nesse contexto, a proteção de dados deixa de ser apenas uma questão técnica ou jurídica e passa a integrar a própria relação de confiança entre o poder público e a sociedade.

“O projeto da LGPD vai além do mero cumprimento legal. Ele é uma demonstração social do cuidado que o Tribunal tem com a população, com os servidores e com o erário. O nosso objetivo, a longo prazo, é transformar a cultura e o tratamento de dados dentro do Tribunal”, destacou.

Ao longo dos próximos meses, o programa deverá avançar em diferentes frentes, incluindo o mapeamento dos fluxos de dados, a identificação de riscos, a definição de procedimentos, a capacitação das equipes e o fortalecimento dos mecanismos de atendimento aos titulares de dados.


Cultura de proteção e boas práticas

Entre os objetivos do Programa de Adequação à LGPD estão:

Mapear fluxos e fortalecer a proteção: identificar como os dados pessoais são coletados, utilizados, armazenados e compartilhados nos processos e sistemas do Tribunal, adotando medidas de proteção e anonimização quando cabíveis;

Conciliar transparência e privacidade: aprimorar os procedimentos para garantir o acesso às informações públicas sem exposição indevida de dados pessoais e sensíveis;

Fortalecer a cultura institucional: capacitar servidores, gestores e auditores sobre boas práticas de tratamento, armazenamento, compartilhamento e descarte de informações;

Aprimorar a segurança da informação: desenvolver políticas e procedimentos capazes de reduzir riscos e fortalecer a proteção dos dados sob responsabilidade do Tribunal;

Induzir boas práticas nos jurisdicionados: compartilhar conhecimento e experiências para estimular a adoção de medidas de conformidade à LGPD por prefeituras, câmaras municipais e órgãos públicos do Acre.

 


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