por G1/AC 14/10/2026 09:20
O jornalista
e apresentador Ayres Rocha morreu aos 62 anos, em Rio Branco, nesta
quarta-feira (14). Um dos rostos mais conhecidos da televisão acreana, ele foi
âncora do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), da Rede Amazônica, por 30 anos, e
conquistou o carinho do público com seu jeito sereno de apresentar as notícias.
Ayres fazia
tratamento contra um câncer, em João Pessoa, na Paraíba, e havia retornado à
capital acreana há cerca de um mês.
Segundo a
irmã dele, Elaina Rocha, ao g1 e à Rede Amazônica, a decisão de voltar para
casa teve relação com o desejo de ficar perto dos familiares e da cidade onde
construiu sua história.
“Ele veio
para cá porque ama a cidade dele, porque ele queria ficar perto da gente”,
contou.
Em relato
emocionado, Elaina disse que o irmão aproveitou intensamente os últimos dias ao
lado da família. Segundo ela, Ayres permaneceu cercado por parentes no hospital
até a noite anterior à morte, quando ainda conseguiu brincar e fazer piadas por
meio de gestos.
“Ele estava
tão sereno ontem, tão bonito, tão feliz. [...] Ele estava feliz porque estava
vendo todo mundo lá, a família dele do lado dele”, lembrou.
A irmã
também destacou o carinho que o jornalista recebia dos familiares, dos amigos e
dos colegas de profissão, especialmente da Rede Amazônica, onde construiu grande
parte da carreira.
Trajetória que entrou na casa dos
acreanos
José Ayres
de Souza Rocha nasceu e cresceu em Rio Branco. Ele passou a infância em uma
casa na Rua Silvestre Coelho, no bairro Bosque. Era o caçula de uma família
formada por nove filhos biológicos e duas filhas adotivas de Álvaro Vieira da
Rocha, paraense, e Raimunda de Souza Rocha, natural de Xapuri, no interior do
Acre.
A trajetória
no jornalismo começou quase por acaso, em 1989. Na época, Ayres trabalhava como
bancário durante a manhã e procurava uma segunda ocupação para preencher as
tardes. Foi assim que surgiu a oportunidade na então TV Acre.
No início,
passou meses observando o trabalho dos profissionais da redação até receber um
convite inesperado: substituir o apresentador de um programa esportivo que
havia faltado.
Mesmo com
receio de encarar as câmeras, aceitou o desafio. A experiência deu certo e
abriu caminho para uma carreira que acompanharia as transformações do
telejornalismo no estado.
Ayres
apresentou diferentes telejornais da emissora, passando pelas edições da manhã
e da tarde, até assumir a bancada do Jornal do Acre 2ª Edição, o JAC2, que
estreou em 1995 e se tornou uma referência na programação local.
Ao longo dos
anos, desenvolveu um estilo próprio, marcado pela voz inconfundível, pela
seriedade e pela serenidade diante das câmeras. Conhecido como “professor” por
colegas de redação, também construiu amizades e buscou formação acadêmica na
área, após ingressar no curso de Comunicação Social.
Por mais de
três décadas, sua presença na televisão fez parte da rotina de famílias acreanas.
De segunda-feira a sábado, o apresentador levava as notícias do estado aos
telespectadores e se tornou uma figura familiar para diferentes gerações.
Representou o Acre no Jornal Nacional
Um dos
momentos marcantes da carreira de Ayres ocorreu em 2019, quando ele representou
o Acre em uma edição comemorativa dos 50 anos do Jornal Nacional, da TV Globo.
Na ocasião,
dividiu a bancada do principal telejornal do país com a jornalista Jéssica
Senra, apresentadora do Bahia Meio-Dia. A participação deu visibilidade
nacional ao trabalho desenvolvido por Ayres e foi motivo de orgulho para o
público acreano.
Ao longo da
carreira, o jornalista acompanhou acontecimentos que marcaram a história
recente do estado e ajudou a contar essas histórias por meio do telejornalismo.
Governo do Acre lamenta morte
A
governadora do Acre, Mailza Assis, divulgou uma nota de pesar pela morte do
apresentador. Na manifestação, ela destacou a importância de Ayres para a
comunicação local e o vínculo construído com o público.
“Sua
trajetória é parte da história da comunicação acreana. Com profissionalismo,
dedicação e respeito ao público, conquistou a admiração de gerações e se tornou
uma das figuras mais conhecidas e queridas da nossa televisão”, diz trecho da
nota.
A
governadora também prestou solidariedade à esposa do jornalista, Waldenira, aos
filhos Marcelo, Álvaro Neto e Luiza, aos netos Maria Eliza, Miguel, Isaque,
Heloise e Apolo, além dos demais familiares, amigos e colegas de profissão.
inf.via/g1-redeamazonica




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