por Jocivan Santos 03/11/2026 20:36
O
assassinato brutal da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, na noite de 2
de novembro de 2026, chocou o município de Brasiléia, no interior do Acre, e
reacendeu o debate nacional sobre o feminicídio e a eficácia das medidas
protetivas. Servidora dedicada da prefeitura, Elyne atuava na Unidade de Saúde
Dr. Ricardo Barbosa da Silva e era amplamente descrita por pacientes e amigos
como uma profissional extraordinária, humana e profundamente amada pela
comunidade local.
O Crime
Na noite do
ocorrido, Elyne estava em um momento de descontração com amigos em um bar na
calçada de um estabelecimento comercial na cidade, localizado a poucos metros
do 5º Batalhão da Polícia Militar. Câmeras de segurança registraram a ação
rápida e violenta: um homem usando capacete se aproximou da mesa por trás e
efetuou dois disparos de arma de fogo contra a cabeça e as costas da médica,
que morreu no local antes de receber qualquer socorro. O executor fugiu logo em
seguida. Durante as buscas, um suspeito chegou a trocar tiros com a polícia em
uma área de mata antes de conseguir escapar.
A Falha na
Rede de Proteção
O caso gerou
ainda mais revolta devido ao histórico de denúncias da vítima. Elyne possuía
duas medidas protetivas de urgência contra o seu ex-namorado, o advogado e
ex-vereador de Brasiléia Francisco Valadares Neto. Ela já havia registrado
boletins de ocorrência recentes (em agosto e setembro de 2026) relatando perseguições
e novas ameaças de morte decorrentes do descumprimento da ordem judicial por
parte dele. O Ministério Público do Acre (MP-AC) informou que já havia
solicitado formalmente a prisão preventiva do ex-companheiro por duas vezes
devido a essas violações.
Testemunhas
relataram que, minutos antes de ser executada, a médica percebeu a presença
suspeita do ex-namorado rondando o local e acionou o "botão do
pânico" em seu aplicativo de segurança. A central de monitoramento
estadual chegou a retornar o contato por telefone para verificar a situação,
porém, nenhuma viatura policial foi enviada ao local a tempo de impedir a
tragédia.
Investigações
e Repercussão
A principal
linha de investigação da Polícia Civil aponta para feminicídio com
características de pistolagem, sob a forte suspeita de que Francisco Valadares
Neto tenha sido o mandante intelectual do crime. O suspeito já possuía
antecedentes criminais por violência doméstica e ameaça de morte contra outra
ex-companheira, a ex-prefeita de Brasiléia Fernanda Hassem, em uma condenação
que remonta a 2017.
Na manhã
seguinte ao crime (3 de novembro), Francisco foi encontrado desacordado em sua
residência após uma suposta overdose de medicamentos. Ele foi socorrido pelo
SAMU, intubado e transferido sob escolta policial para a UTI do Pronto-Socorro
de Rio Branco em estado grave, permanecendo à disposição da Justiça.
O assassinato paralisou o município e comoveu o estado. A prefeitura de Brasiléia decretou luto e suspendeu os atendimentos em todas as unidades de saúde da cidade no dia seguinte ao crime. A governadora do Acre, Mailza Assis, o Conselho Regional de Medicina (CRM-AC) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AC) emitiram notas de profundo repúdio, exigindo punição severa aos culpados e cobrando das autoridades respostas claras sobre as falhas no sistema que deveria ter garantido a proteção da vida de Elyne.






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