por Assessoria 22/09/2026 17:38
A Polícia
Federal deflagrou, nesta terça-feira (21/9), as Operações Ptolomeu IV e Umbra,
destinadas a combater o desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no
Acre e desarticular estrutura montada para espionar as atividades da Polícia Federal
em favor de investigados de fases anteriores da Operação Ptolomeu.
A Operação
Ptolomeu IV foi desencadeada em conjunto com a Controladoria-Geral da União
(CGU) e abrange duas frentes investigativas. A primeira refere-se à contratação
da empresa responsável pela construção inicial da nova sede do Instituto de
Meio Ambiente do Acre (IMAC). Auditoria a CGU apontou superfaturamento por
inexecução parcial no montante estimado em aproximadamente de R$ 1,2 milhão,
correspondente a serviços medidos e pagos, mas que não teriam sido efetivamente
concluídos.
A
investigação também identificou vestígios de que recursos provenientes dos
contratos públicos teriam sido desviados para pagamento de despesas
particulares e concessão de vantagens indevidas a agentes públicos. A análise
das movimentações financeiras da empresa contratada revelou, ainda, saques em
espécie e outras operações atípicas.
A outra
vertente da apuração possui relação com a segunda empresa que posteriormente
foi contratada para concluir a mesma obra. Os indícios reunidos indicam
possível sucessão empresarial e continuidade das práticas ilícitas
investigadas, inclusive com vínculos entre pessoas relacionadas à nova
contratada e empresas anteriormente investigadas no âmbito da Operação
Ptolomeu.
Já no âmbito
da Operação Umbra, a partir de dados colhidos em fases anteriores da Operação
Ptolomeu, a PF identificou evidências da existência de um núcleo de
contrainteligência estruturado para obter informações sobre as ações policiais,
movimentação de equipes e viaturas, com a finalidade de antecipar as ações e
adotar providências para reduzir a efetividade de medidas judiciais.
A apuração
também identificou a possível participação de ex-servidor terceirizado e de
agente da Polícia Federal no repasse indevido de informações relacionadas a
operações policiais.
Ao todo, as
operações combinadas cumpriram 28 mandados de busca e apreensão nas cidades de
Rio Branco/AC, Cruzeiro do Sul/AC, Maringá/PR e Navegantes/SC, todos expedidos
pelo Superior Tribunal de Justiça, onde os casos tramitam.
O STJ
autorizou, ainda, o sequestro de bens e valores com a finalidade de
ressarcimento do erário, bem como impôs aos investigados medidas cautelares,
tais como afastamento de função pública, proibição de contato entre si,
proibição de frequentar determinados órgãos públicos e proibição de ausentar-se
da comarca de residência e do país (com a obrigação da entrega dos passaportes
à Superintendência da Polícia Federal no Acre, no prazo de 24 horas).
Foram
apreendidos valores em espécie com alguns dos investigados, estimados, até o
momento, em cerca de R$ 1 milhão. Além disso, três suspeitos foram presos em
flagrante por posse ilegal de armas de fogo.
Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, sem prejuízo de outros delitos eventualmente identificados no decorrer das apurações.






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